2025 – 2026 e a Rejeição à Deus nas Palavras de Leão XIV
A rejeição
à Deus e à pobreza nas palavras do Papa Leão XIV, neste Natal, parecem atingir
o povo brasileiro, sobretudo as elites, que tratam os seres humanos como
mercadorias. Como disse o Papa, não há lugar para Deus se não há lugar para a
pessoa humana. Neste caso, a ausência de
Deus, esperança, fé e amor é o inferno.
Fica
demonstrado que os milhões de desejos de “Feliz Ano Novo” para 2026 parecem ser
inúteis num cenário em que predomina a rejeição à Deus. Isto deve ser uma
preocupação de todos nós e não só das elites, considerando o alerta do que
disse Leão XIV, lembrando-nos que a fé e o amor pelos pobres são inseparáveis,
ou seja , o amor pelos pobres é a marca da fé. A partir daí podemos testar até
onde vai a nossa fé em Jesus Cristo.
Temos que
lembrar, ainda, que Cristo nasceu numa das regiões mais pobres da Palestina,
mas teve o trabalho de curar doentes, trazer de volta a vida à paralíticos, a
visão à cegos e arrancar demônios de outros, mesmo sabendo que a sua atuação
política de enfrentar religiosos e poderosos de sua época, o levaria a morrer
na cruz.
Que em 2026
possamos nos lembrar de que seguir a Cristo é amar como Ele ama, especialmente
aqueles que precisam. Como cristão temos
que voltar e reler o Evangelho e buscar nos educar melhor sobre o que foi a
vida de Cristo na Terra. Tentar fortalecer nossa fé fraca com rezas ou orações
não nos leva a nada.
Um outro ponto, que sempre esquecemos é que Deus
concedeu ao homem a capacidade de escolha (livre arbítrio) para amar e obedecer
voluntariamente, não como robôs, mas através de decisões com consequências
reais, sendo os humanos responsáveis por seus atos. Assim sendo, este dom
permite que as pessoas escolham entre o bem e o mal, embora Deus oriente e
mostre o caminho certo, com a verdadeira liberdade sendo a capacidade de
escolher o que é bom e amá-Lo.
Temos que reconhecer a nossa responsabilidade e tentar
diferenciar o bem do mau. Não podemos escolher o pior Congresso Nacional da
história do Brasil e achar que a culpa é de Deus. Não podemos continuar
elegendo políticos corruptos e achar que a culpa é de Deus. Não podemos
continuar elegendo golpistas achando que é o que Deus quer.
As gritantes desigualdades sociais neste país por si
só justificam a rejeição à Deus, reforçadas pelas políticas do mal nos últimos
anos, orçamentos secretos,
supersalários, outras práticas corruptas e o fortalecimento de organizações
criminosas que evidenciam as
perversidades do apocalipse brasileiro.
Há poucos meses, o Presidente Lula definiu uma das
políticas do mal mais danosas neste país, ao rejeitar uma mulher para
enriquecer a justiça brasileira, baseando-se em critérios de conquistas de mais
votos para sua reeleição. Espera-se uma resposta nas urnas não só das mulheres, mas da maioria dos
eleitores brasileiros, que buscam um Judiciário mais justo em favor das
mulheres e contra a violência contra elas.
Estamos vivenciando um cenário, em que inocentes
sofrem enquanto poderosos prosperaram. Estamos vendo o apoio explícito de
governos de esquerda ou direita à ganância de grandes corporações em detrimento
dos mais pobres. Não podemos chamar isto de ordem Divina ou sabedoria de Deus.
Muitos indagam, se Deus existe, por que permite tanta
injustiça e sofrimento? Como pode haver justiça no Brasil? Como pode Deus
permitir a fome, a doença, a morte de crianças e violência e mortes de mulheres
neste país?
Estamos vendo que a crueldade neste país depende muito
de nós, que não queremos assumir a responsabilidade pelo livre-arbítrio, que
nos foi concedido por Deus. Neste caso, o silencio de Deus diante de tanta
injustiça nos obriga a encarar a verdade. Foi isto que o Cristo enfrentou. A
vida nos obriga a pensar, questionar e lutar e foi isto que Cristo enfrentou.
O sofrimento não é inevitável, mas temos que buscar
sabedoria, que não vem de rezas e orações vazias, feitas para reforçar a rejeição à Deus, mas da coragem de enfrentar a realidade,
sobretudo quando ela não é justa. Infelizmente não queremos encarar a lição que
Jesus nos ensinou, morrendo na cruz para nos salvar e sua função política para
enfrentar os poderes de sua época.
Em momento tão oportuno o Papa Leão XIV, neste Natal,
nos ensina que o amor pelos pobres é a marca da fé e o caminho de se evitar a
rejeição à Deus. Não podemos esquecer também o que nos ensinou o veterano
teólogo, Jon Sobrino, radicado em El Salvador, martirizado com outros jesuítas,
em seu livro intitulado “Fora dos pobres não há salvação”.

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